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I Ching

O I Ching é um dos clássicos da literatura chinesa antiga, sendo para a cultura chinesa o que a cabala é para o misticismo ocidental. O que hoje conhecemos com o nome I Ching, O livro das Mutações, surgiu no período anterior à dinastia Chou (1150 – 249 a.C.). James Legge cunhou os termos “trigrama” e “hexagrama”, para designar os Kua compostos por três a seis linhas. O I Ching integra os três níveis de mudança (física, psicológica e espiritual) em sua visão abrangente da cons­ciência humana e de sua relação com os campos físico e espiritual.

Seu uso original como livro de predições destinava-se a proporcionar orientação para decisões e ações que pusessem as atitudes e o comportamento do indivíduo em harmonia com processos cós­micos. Em essência, então, o I Ching é um guia para maior autoconhecimento e o desenvolvi­mento do caráter e da personalidade. A natureza periódica ou Cíclica da mudança está representada no I Ching pelos oito trigramas primários. Um trigrama é uma figura de três linhas com­posta de linhas cheias yang e linhas quebradas yin. Qualquer um dos oito trigramas pode ser combinado com qual­quer outro trigrama para for­mar um hexagrama de seis linhas. São possíveis 8x8 ou 64 hexagramas.

Como construir um hexagrama

O hexagrama é constituído por uma manipulação de cinqüenta talos cortados de uma planta chamada milefólio (Achillea Millefolium). No começo desse processo, um talo é posto de lado e somente os quarenta e nove restantes são usados para computar o valor numérico de um hexagrama. Os quarenta e nove talos são primeiro divididos aleatoriamente em dois montes, um à direita e outro à esquerda. Um talo é retirado do monte da direita e posto de lado. Em seguida, conta-se o monte da esquerda em grupos de quatro talos. Os talos do último grupo (quatro ou menos) são postos de lado juntamente com o que foi retirado do monte da direita.
Depois, o monte da direita é contado em grupos de quatro talos. Novamente, os talos do último grupo (quatro ou me­nos) são postos de lado juntamente com os talos já retirados.
Neste ponto, ou nove ou cinco talos terão sido postos de lado a partir dos quarenta e nove originais. Os talos que fica­ram nos montes da direita e da esquerda são agora reunidos, redivididos, e o procedimento acima de contá-los em grupos de quatro é repetido. O número de talos postos de lado nessa contagem será quatro ou oito.
Finalmente, esse processo de reunir, redividir e contar os talos é repetido mais uma vez como indicado anteriormente. De novo o número de talos postos de lado é quatro ou oito. Após essa terceira contagem dos talos, o número total de talos postos de lado terá um de quatro possíveis valores. Esses valores são 13, 17, 21, ou 25. Para obter o valor numérico de uma linha de um hexagrama, esse número é subtraído de quarenta e nove. Por exemplo, 49-13=36; 49-17=32; 49-21=28; ou 49-25=24. Para obter o valor numérico de um hexagrama de seis linhas, todo esse processo é repetido seis vezes. Dependendo de como a pessoa divide os talos, pode resultar em quatro possíveis valores de linha: 36 (velho Yang), 32 (jovem Yin), 28 (jovem yang), ou 24 (velho Yin).

Uso oracular do Livro das Mutações
Aproximarmo-nos do oráculo requer humildade, sinceridade e ardor. A formulação da pergunta tem um papel decisivo no êxito ou no fracasso da consulta. O oráculo segundo a tradição chinesa nunca falha. A pergunta correta se caracteriza por sua intenção e por sua forma. A intenção correta consiste na adequação ao propósito e finalidade do próprio oráculo, ou seja, auxiliar o homem na busca da verdade, na busca de si mesmo. A forma correta significa estarmos aptos a dar expressão de modo claro, inequívoco, sintético e preciso ao que procuramos.
Quanto ao ritual que tradicionalmente cercava a prática oracular na China, podemos dizer: usava-se sempre um corte de seda virgem para envolver o livro e uma caixa de madeira (que jamais tivesse servido para outra finalidade), para acondicionar as varetas. O livro nunca era guardado a uma altura superior à de seu dono, numa advertência contra a idolatria. O consulente sentava-se sempre voltado para o sul, a região do Sol, da Luz. Voltar-se para a luz significa voltar-se para o que permite ver e entender. O incenso era usado durante a consulta como elemento purificador, bem como representava a perseverança, pela constância com que queima. Antes de iniciar o processo de divisão das varetas, o consulente curvava-se três vezes e, tomando as cinqüenta varetas em sua mão direita, passava-as três vezes pela fumaça do incenso, em movimento circular, no sentido horário. O efeito do ritual seria no âmbito interno, no consulente, por isso, era costume antes da consulta, dedicar algum tempo à prática da meditação.
Quanto ao método de consulta por meio de jogo de moedas, sua única suposta vantagem (a economia de tempo), revela-se uma séria desvantagem quando se leva em consideração certos mecanismos psicológicos envolvidos no processo oracular. O método de varetas requer, para cada consulta, em torno de meia hora.

Método das moedas
Apanhe três moedas pequenas e iguais. Dê a "cara" o valor 3 e A "coroa" o valor 2. Junte as mãos em concha e sacuda delicadamente as moedas na concavidade formada pelas palmas das mãos e, ao mesmo tempo, formule a pergunta. Quando achar que sacudiu, as moedas o suficiente, deixe-as cair suavemente sobre uma superfície plana.
Examine sua face superior, contando o número total de pontos. Há somente quatro possibilidades, pois não importa a ordem em que as moedas sejam examinadas. Esse primeiro lançamento formará a linha inferior do hexagrama de seis linhas que você está construindo.
Se o lançamento deu o número 6 (três coroas) ou 8 (duas caras e uma coroa), trace uma linha partida assim ___ ___
Se o lançamento deu o número 7 (duas coroas e uma cara) ou 9 (três caras), trace uma linha continua, assim ______
Embora as linhas sejam traçadas da mesma maneira, há uma distinção importante entre o 6 e o 8 e também entre o 7 e o 9. O 6 e o 9 são chamados linhas móveis e devem ser assinalados para receber maior atenção quando o hexagrama estiver completo.
Para completar o hexagrama, sacuda novamente as mãos e repita o lançamento das moedas, com a mesma pergunta em mente, estruturando-o da linha de baixo (a primeira) para a de cima (a sexta); marque as linhas móveis, quando houver.
Com o primeiro hexagrama completo, o padrão a ele referente é procurado no quadro abaixo (Clique no número correspondente). Há somente sessenta e quatro possibilidades de arranjo das linhas.
Para esse primeiro hexagrama, leia a imagem e o julgamento e, apenas o texto relacionado com as linhas móveis que tenham sido assinaladas. A orientação diz respeito à situação presente. Quando o primeiro hexagrama contém linhas móveis, um segundo hexagrama, referente a uma possível situação futura, ou resultante da presente, pode ser obtido, convertendo-se cada linha móvel no seu tipo oposto de linha. Nas demais linhas não se faz modificação alguma. Esse segundo hexagrama pode então ser procurado no quadro da mesma forma que o primeiro.
A interpretação do hexagrama dada no I Ching fornece conselhos para as pessoas colocarem sua consciência em harmonia e, entrar em comunhão com o seu próprio Eu. Não há poder nos próprios talos. Eles são apenas uma ferramenta para expressão do Eu Interior. A harmonização resulta em mudanças construtivas de caráter e personalidade.

Identifique o número correspondente na tabela abaixo, depois clique na carta e leia a mensagem:

trigramas-i

As cartas abaixo estão em ordem numérica.




Como referência bibliográfica, indicamos: I Ching – O livro das mutações – Richard Wilhelm - Editora Pensamento.

 

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