A Casa Oito – a crise dos quarenta
M. Regina Martins de Assis
No artigo anterior vimos o signo de Escorpião e a sua função no desenvolvimento humano como uma preparação para tratarmos agora da entrada do momento de nossa idade na Casa 8, casa de Escorpião. E por que foi preciso fazer esta preparação? O que tem Escorpião de diferente, já que não fiz preparação nenhuma para as outras casas?
Quando falamos de signo, nos referimos a processos internos, modos de comportamento gerados por uma determinada postura diante da vida. Quando falamos em casa, nos referimos a acontecimentos externos dos quais não temos o mínimo controle, que fogem à nossa possibilidade de escolha. No entanto, estes acontecimentos são o resultado de nossas escolhas anteriores feitas ao longo do tempo, que serviram em um dado momento e que agora precisam ser redimensionadas. E não é fácil percebermos que não somos tão maravilhosos quanto pensávamos, que muitas coisas não correm de acordo com nossos desejos e que muitas coisas que tínhamos feito com plena convicção agora parecem falsas e sem sentido. A sensação é a de que nosso mundo está desmoronando e que o túnel está fechado, sem deixar passar vislumbre algum de luz. É por isso que a casa oito é a mais complexa, delicada e complicada de todas as outras doze casas, a que traz mais transformações e reorientações na nossa vida.
A casa oito pertence ao grupo das casas fixas. Nessas casas procuramos dar uma forma segura e eficaz às idéias e impulsos. É nestas casas que consolidamos e amadurecemos as experiências pelas quais passamos. Dando um exemplo concreto: na Casa 2 queremos possuir algo que nos dê um sentido de valor. Tanto pode ser alguma coisa material como idéias, talentos, dons artísticos e mentais. Acreditamos que nossas posses ou talentos nos dão um sentimento de auto-estima e que não podemos viver sem eles. O mesmo acontece com as outras casas. Na Casa 5 desejamos ser poderosos, fortes e criativos e criamos uma imagem de nós mesmos de que somos empreendedores e auto-suficientes. Na Casa 8, alcançamos um status social, exercemos um papel na sociedade que nos dá segurança e a auto-estima depende dos títulos, dos cargos, da posição num grupo e do prestígio. E não gostamos de perder o que conquistamos. "Nas casas fixas não desejamos soltar nem dar o que conseguimos ou possuímos. Estamos convencidos de que temos que ter algo para ser alguém". Nós nos agarramos aos nossos papéis sociais e a um determinado modo de ver a vida e não admitimos que possa haver outras possibilidades de orientação. Nós nos tornamos rígidos, cristalizados.
Mas ao chegarmos à Casa 8 aos 42 anos, acontecem as primeiras crises sérias e levamos os maiores safanões de toda nossa vida. Neste momento, certos aspectos que tinham solidez e estavam firmemente estabelecidos devem morrer para que as forças evolutivas possam fazer o seu trabalho. Às vezes acontecem mudanças drásticas como divórcio, perda de emprego, perda dos bens. É muito comum surgirem as primeiras sensações de que o corpo está envelhecendo e pedindo cuidados. Também o corpo sofre com o colapso interno e sobrevêm crises de pânico, depressão, doenças cardíacas e uterinas, os músculos enrijecem, causando dores generalizadas, o esqueleto sofre, os ligamentos se rompem ou se fazem sentir doloridamente. Pela primeira vez percebemos a nossa finitude.
O mais das vezes não se verificam acontecimentos no mundo externo, mas começamos a sentir que tudo em que acreditávamos e que nos dava segurança parece ter ruído, desmoronado. Os pilares que nos sustentavam estão por terra e nos sentimos inseguros, frustrados, sem parâmetros. É como se estivéssemos à deriva. Então, pela primeira vez nos perguntamos o verdadeiro sentido da vida.
Trabalhar a Casa 8 com consciência é aprender a lidar com perdas inevitáveis, treinar o desapego e a entrega, exercitar o abrir mão, o deixar ir o que nos causa dor e frustração. É nos abrir a novas possibilidades, a novas maneiras de enxergar a vida e a nossa inserção na sociedade, é perceber que, se é muito bom ter, melhor ainda é ser. Ou ainda melhor é perceber que os dois juntos funcionam maravilhosamente e que um não exclui o outro!É nos desligar do pensamento orientado ao lucro, à competição e à posse de bens e pessoas e permitir que nossa consciência se abra para valores mais altos, mais independentes e mais criativos.
Aí estaremos entrando já nos assuntos da Casa 9, que veremos no mês que vem.
Astrologia Psicológica