No dia 22 de dezembro o Sol entra em Capricórnio, o último signo de terra do Zodíaco. (Os outros dois são Touro e Virgem). Se perguntarmos para muitas pessoas o que sabem sobre os signos de terra, inevitavelmente virá a resposta:
- Ali, os signos de terra são materialistas, ocupam-se com a realidade concreta, o mundo material. O taurino é teimoso e possessivo, os virginianos são críticos demais e só pensam em ganhar dinheiro, os capricornianos são muito sérios, muito responsáveis, já nascem velhos!
Tudo isto é verdade. Mas não toda a verdade. Neste primeiro mês depois do Natal gostaria de descobrir com vocês a espiritualidade dos signos de terra, signos que marcam o nascimento de grandes seres espirituais como Krishna, Buda e Cristo. Há muitos seres espirituais ligados ao simbolismo de Touro, sem contar as divindades do panteão grego, como Dioniso e Posídon e a adoração do boi Ápis pelos egípcios. Contam que Krishna nasceu no mês de Touro e viveu rodeado de pastoras de gado. Ele mesmo pastoreava as vacas. Lao-Tsé montava um touro quando deu para o guarda da fronteira o manuscrito que continha os versos do Tao Te King. Ultrapassando a fronteira, sumiu no horizonte, sempre montado no seu touro. No mês de maio, por ocasião da Lua Cheia, comemora-se o nascimento de Buda, ocasião em que é transmitido para a humanidade um grande fluxo de energia espiritual.
Vejamos Touro, o primeiro signo de terra. Que impressão nos transmite um touro? Não é difícil atribuir-lhe as características de densidade, estabilidade, solidez, firmeza e uma vitalidade instintiva criadora de vida. Na linguagem poética de Junito Brandão:
"A este signo se vincula o valor de um sentido plenamente terrestre na linha de uma sinfonia de pradaria verde". (Mitologia Grega).
No entanto, este signo tão ligado à terra-mãe, que tem a função de concretizar, de tornar realidade as ideias, as criações que vêm do mundo da imaginação, tem também uma outra função: espiritualizar matéria e dominar os sentidos. É interessante nos remeter aos trabalhos de Hércules para ver como é antiga esta atribuição de Touro. No segundo trabalho, Hércules foi incumbido de trazer para o continente e levar para o templo um touro que se achava em uma ilha. Tendo achado o touro, o herói não o mata, mas monta em suas costas, como Lao Tsé. Montar um touro significa ter o controle sobre ele, sobre que ele representa de força instintiva, sensualidade, desejos e apegos. Ter controle sobre e não matar, sufocar ou reprimir. Levar o touro da ilha para o continente significa reconhecer nossas partes isoladas, desequilibradas e integrá-las no todo da personalidade. Levá-lo para o templo significa reconhecer a sacralidade dos instintos e do mundo material.
O signo de terra seguinte é Virgem. Sempre é bom lembrarmos que Virgem é o signo complementar de Peixes. Virgem e Peixes pertencem ao eixo da existência, a eterna dicotomia entre o ter e o ser, entre o mundo objetivo, concreto do ter (Virgem) e o subjetivo, das profundas experiências pessoais de ser (Peixes). São nessas águas que o ser humano navega: preso à realidade física, mas ansiando pelo Paraíso Perdido, pela união com o Absoluto. Então, ele julga que há uma divisão enorme entre matéria e espírito, que são polos opostos, definitivamente irreconciliáveis. Virgem e seu oposto Peixes mostram-nos que a matéria e espírito andam juntos, são faces da mesma moeda.
Não é necessário ter muita imaginação para sabermos de que Virgem se trata. É a Virgem que traz o divino a terra, que torna possível a Encarnação de um deus no corpo de um homem, que viverá conosco a mesma experiência terrena. Verdadeiro deus e verdadeiro homem! Estamos no âmbito do elemento feminino da criação. O pensamento-semente de Virgem é: "Eu sou a Mãe e o Filho, Deus e matéria Eu sou".
O terceiro signo de terra é Capricórnio. A entrada do Sol neste signo marca a comemoração do Natal, a encarnação de Deus feito homem. Na Antiguidade neste dia 25 de dezembro comemorava-se a festa do deus Mitra, um deus persa muito cultuado pelos soldados do exército romano. Mas a escolha deste dia para se comemorar o nascimento de Cristo não foi apenas uma transposição política de um mito pagão para agradar aos poderosos exércitos romanos. Havia neste culto a Mitra um profundo simbolismo. Mitra era um deus solar, isto é, portador da Luz. Depois de um longo e escuro inverno, no solstício o Sol começava a cada dia se manifestar mais forte, mais potente, espantando a escuridão e criando vida. Foi exatamente isto que Cristo veio trazer: a Luz e a Vida para nossas almas!
Então, em Touro o homem com seu engenho cria, dá forma e sacraliza a matéria. Em Virgem, uma mulher dá forma humana a um Deus e em Capricórnio este Deus nos dá a salvação, a esperança e nos traz a Luz, ilumina nosso caminho. Cabe a cada um de nós não nos apartarmos desta Luz, e tendo conseguido encontrá-la, ajudar nossos irmãos a encontrá-la também. O pensamento-semente de Capricórnio é:
"Mergulhado em Luz Celestial estou, porém volto as minhas costas para esta Luz" - abrimos mão do repouso eterno na Luz divina e voltamos ao mundo material para doar aos homens nossa sabedoria.
Que todos tenham tido um bom Natal e que a Luz de Cristo encontre morada em nossos corações!
Astrologia Psicológica






