No dois últimos artigos estivemos às voltas com Escorpião e a Casa VIII e ainda neste mês gostaria de enfocar este período da vida que vai de 45 a 48 anos, período conturbado e por isso mesmo muito delicado, e ultrapassar um pouco até os 72 anos. Esta insistência tem duas motivações e nenhuma delas é um desejo mórbido de falar sobre dificuldades e conflitos. A primeira, e mais óbvia, é que a grande maioria dos leitores deste jornal se distribui entre aqueles que ou estão próximos, ou no meio, ou já saíram deste fogo cruzado que são as experiências de Casa VIII. A segunda é que não podemos subestimar a importância deste período e a diferença que fará em nossa vida futura sabermos, ou não, compreender o propósito e o significado de tantas mudanças, que muitas vezes aparecem em nosso caminho como um golpe do destino.
Voltemos um pouco para trás, para a época em que éramos jovens, cheios de esperança, de confiança em nossas forças e no futuro, mais precisamente dos 24 aos 42 anos. Este período corresponde à fase solar, orientada para o mundo externo, para a conquista de um lugar na sociedade, para o êxito profissional e afetivo, para metas de desenvolvimento de nosso potencial criativo, tanto em termos de realizações práticas como de filhos que continuarão nossa história. Não é à toa que dizemos que temos o direito a "um lugar ao sol". E assim vamos caminhando.
No entanto, nada permanece sempre como está. Aproximadamente à idade de 45, 46 anos, nossa orientação deve mudar. Não mais a personalidade solar externa, ocupada em conquistas e metas futuras. Agora começa a se aproximar a fase saturnina, orientada mentalmente e que possa assumir responsabilidades não só por si mesma e pelas novas gerações.
Começa agora a terceira fase vital, a fase que vai de 48 a 72 anos e que corresponde às Casas IX, X, XI e XII, relacionadas respectivamente aos signos de Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes, e vamos rumo ao Ascendente... Gostaria de falar um pouco sobre esta fase porque pode nos fazer refletir um pouco sobre como pretendemos conduzir nossa vida rumo à velhice que, quer queiramos ou não, vai chegar para grande parte da humanidade, graças a Deus! E se a humanidade criar juízo!
Presentemente estamos vendo o crescimento de um fenômeno único em todos os tempos: o aumento considerável da população velha e precisamos estar atentos a isto. Com certeza temos grandes possibilidades de chegar à velhice, que em astrologia corresponde ao período de Saturno. As energias começam a se retirar e neste processo natural de supressão se formam algumas contradições porque atuam duas forças: os processos de envelhecimento saturnino e simultaneamente um processo de amadurecimento mental. Saturno pode orientar-se em duas direções: as pessoas que sempre foram presas a um pensamento materialista e que tiveram medo de perder a segurança ou material ou afetiva, vão se ligar cada vez mais ao corporal. Todos conhecem a opinião geral de que ao se chegar nos anos terminados por "enta" inevitavelmente a saúde entra em declínio, sem possibilidade alguma de que possa ser diferente. É muito interessante observarmos como a partir desta idade em qualquer reunião todos falam de suas doenças. Parece que cada um faz mais esforço de ter mais coisas do que o outro. Ninguém escuta ninguém e todos competem pela maior quantidade de dores. Não nos esqueçamos de que Saturno representa o corpo físico e ao mesmo tempo a cristalização e estruturação das formas. Todavia para um outro tipo de pessoas Saturno pode representar a soma das experiências vividas e uma clara visão mental, amadurecimento e sabedoria. Isto depende do nível de consciência que foi cultivado ao longo da vida.
Como disse acima, a fase do envelhecimento corresponde aos signos de Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Dois deles, Capricórnio e Aquário são regidos por Saturno que vai nos pedir amadurecimento, responsabilidade e sabedoria. Os outros dois, Sagitário e Peixes são regidos por Júpiter que é um princípio totalmente oposto a Saturno. Júpiter pede expansão da consciência, alegria de viver, otimismo, validação das experiências que tivemos, busca do sentido e do propósito da vida. É muito sintomático que Sagitário, signo que marca ao começo do envelhecimento e a conquista de um eu forte, seja regido por Júpiter. O mesmo acontece com Peixes, signo que marca o desapego do mundo material, a conquista da dimensão espiritual e a consequente percepção da finitude. Podemos supor por aí que a velhice e mesmo a aproximação da morte não deva ser motivo de depressão, medo e ansiedade, mas que este período deva se vivido com alegria e despreocupação. O que tinha que ser feito no mundo material já foi feito! Agora é cuidar de cultivar a flexibilidade do corpo e a satisfação dos pequenos e calmos prazeres afetivos e mentais.
A escolha é nossa! Ou achamos a partir dos quarenta e dois anos o sentido de nossas vidas ou seremos incapazes de nos adaptar à realidade, ao envelhecimento e às várias e cambiantes circunstâncias externas.
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